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terça-feira, 12 de julho de 2011

A MULHER INVISÍVEL - Texto de Regina Teixeira da Costa

A mulher invisível


“O homem não sabe o que fazer para saciar uma mulher porque logo outro desejo brota”
Regina Teixeira da Costa
O que quer uma mulher? A pergunta é antiga, desde sempre feita e refeita pelos mais diversos pensadores e permanece sem resposta. Permanece perturbando o sono e sonhos de muitos amantes inconformados pelos percalços da vida amorosa, que mais faz barulho do que traz repouso à alma.
Decerto, cada sujeito tem desejos singulares e diferenças fundamentais do outro, qualquer outro. Nenhum homem é perfeito nem tampouco existe “a mulher” amada, idealizada pelos românticos. Todas deixam a desejar. Ainda bem! Nem se encontra a perfeição em lugar algum. Há lindas, nem por isso perfeitas. Longe disso. Além de desejantes, limitadas e insatisfeitas, nem elas sabem dizer exatamente o que querem.
Os homens igualmente não alcançam a plenitude. Nenhum homem, por mais potente que seja, poderá fazer tudo que quer do seu jeito e do jeito que sua mulher deseja. O homem não sabe o que fazer para saciar uma mulher porque logo outro desejo brota. Não há relações fáceis. Quem consegue abrir mão de todo seu desejo para atender o outro?
Pensando bem… na paixão fazemos exatamente isso. Pela chance da felicidade total, dá vontade de largar tudo e se jogar, corpo e alma fundidos ao outro, cara-metade, alma gêmea. É uma loucura. Acreditamos encontrar alguém do nosso número, como se fosse o modelito ideal e customizado! O que ilustra isso muito bem é o e-mail de uma leitora: “… para mim uma eterna questão: o ‘amor’, seus lances, enlaces, entraves. A forma que arrumamos ou, às vezes, programamos para estar com o outro… E ontem, assistindo ao novo programa da Globo, A mulher invisível, comecei a refletir sobre a metáfora passada por quem escreve o programa. O ‘amor’… a fantasia/idealização criada sobre a pessoa amada… É mais ou menos essa a ideia passada pelo programa: Pelo menos na minha forma de entender… Como tudo depende do olhar do observador, talvez minha ‘leitura’ diga mais de mim do que do programa, mas ainda assim acho válida a discussão…
A gente ama uma idealização, uma fantasia, algo nosso que refletimos ou delegamos ao outro. E quando a cortina cai, deixando essa verdade nua, o relacionamento acaba ou cria-se outra fantasia que ampare/substitua a anterior… cria-se ‘a mulher invisível’! Cria-se uma nova fantasia que preencha os requisitos que o real não tem, que tampone os furos que você não quer enxergar/aceitar… No fim das contas, o que prevalece é você e seu ideal… seja ele alto ou baixo, loiro ou moreno… um ‘ideal’, e pessoa nenhuma, amor nenhum será capaz de acompanhá-lo, superá-lo… Mas, como ocorre em toda escolha, você estará fazendo uma renúncia: abdicará do real para viver a fantasia… E eu me pergunto: vale a pena?… é nisso que se resume o amar?… Talvez o número enorme e crescente de solteiros possa dar alguma dica…”
A leitora disse tudo nessas questões, pois o amor faz esse engano. Doce veneno que tomamos felizes, com medo das consequências, mas quem pode dizer que não vale a pena? Portanto, como somos todos vítimas e autores ao mesmo tempo desse amor inventado, com o tempo ele mostra que podemos aprender a gostar do outro, suportar suas diferenças e apesar de todos os seus sintomas. Ao contrário, se amamos apenas a nós mesmos no outro, não suportando ser ele além de nossa própria imagem, ficamos presos como Narciso à beira do lago, apaixonado por seu próprio reflexo. Afogado no amor próprio. É isso aí. Amar o diferencial e saber construir parcerias duradouras é a arte de sobreviver a dois. Parabéns aos que sabem como navegar nessas águas, porque navegar é preciso e amar… amar é arte!
Publicado originalmente no jornal Estado de Minas em 10/07/2011. Fonte: UAI

1 comentários:

Bruno Vinhas disse...

Fiquei algumas horas refletindo sobre isso.....

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